sábado, 17 de janeiro de 2026

O Tempo e a mediocridade humana

    1. A temporalidade do instante não me assusta. O que me aflige é a mediocridade dos que respiram o agora como se o futuro fosse um privilégio e não uma sentença. Ignoram que o destino é imparcial, e que a morte não exige convites. 
 
    2. Não temo o tempo — ele é apenas o mordomo da eternidade. O que me fere é a pequenez dos afetos, a mesquinhez dos que não percebem que a mesma campainha baterá às nossas portas. Uns fazem do instante um templo; outros, um depósito de banalidades. 
 
    3. A transitoriedade do momento é um consolo. Assusta-me mais a tibieza dos sentimentos, essa incapacidade de arder, de querer, de sofrer. Pois a todos é reservado o mesmo fim, e ainda assim há quem passe pela vida sem sequer tocar o próprio pulso. 
 
    4. O tempo não me intimida — é só um cobrador paciente. O que atormenta é a mediocridade emocional daqueles que fingem sentir e não percebem que o destino ri de todos, sem exceção, sem distinção, sem aplausos. 
 
    5. Não é o instante fugidio que me alarma. É o coração domesticado, raso, conveniente. Pois se todos marchamos para a mesma escuridão, que ao menos o caminho seja febril — o contrário é morrer duas vezes. 
 
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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