sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O poeta não foge

    A solidão é o quarto silencioso onde o poeta aprende a escutar o que o mundo não ousa dizer em voz alta. É ali, longe do ruído dos outros, que as palavras deixam de pedir permissão e passam a existir. 
 
    A imaginação livre nasce quando ninguém está olhando. Ela cresce no intervalo entre o que é e o que poderia ser, alimentada pelo vazio que só a solidão oferece sem julgamentos. 
 
    O poeta não foge das pessoas por desprezo, mas por necessidade: certas imagens só se revelam quando não há testemunhas, quando o pensamento pode errar o caminho sem ser corrigido. 
 
    Na solidão, a imaginação não precisa ser útil, coerente ou verdadeira — basta ser viva. E é dessa liberdade que surgem versos que parecem lembrar algo que nunca aconteceu. 
 
    Talvez por isso a poesia soe como confissão: não porque revela segredos, mas porque nasce do mesmo lugar onde guardamos o que ainda não sabemos dizer a ninguém. 
 
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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