Outro dia fiquei pensando em como somos estranhos diante dos problemas. Quando tudo vai bem, quase não fazemos perguntas. Acordamos, seguimos nossos compromissos, reclamamos de uma coisa ou outra e continuamos acreditando que temos algum controle sobre a vida. Mas basta surgir um problema inesperado para o nosso pequeno mundo perder o equilíbrio.
É nessa hora que queremos respostas rápidas. Queremos uma porta aberta, uma solução imediata, uma explicação que acalme o coração. Oramos, fazemos planos e, às vezes, até sugerimos a Deus como Ele deveria resolver a situação. Temos essa mania de entregar o problema e, junto com ele, um roteiro completo da solução.
Mas Deus nem sempre segue nossos roteiros.
Talvez porque enxerguemos apenas o problema de hoje, enquanto Ele conhece os caminhos que ainda percorreremos amanhã. Nós vemos a porta fechada. Deus conhece a estrada que existe depois dela. Nós lamentamos aquilo que perdemos. Ele sabe o que precisamos aprender antes de continuar.
Comecei, então, a pensar que muitos dos nossos problemas podem ser oportunidades para descobrirmos as soluções de Deus. Não aquelas soluções que imaginamos enquanto estamos deitados, olhando para o teto no meio da noite. Falo das respostas inesperadas, dos caminhos improváveis, das pequenas providências que chegam silenciosamente e nos fazem perguntar depois: “Como eu não percebi isso antes?”.
É curioso. Queremos conhecer o poder de Deus, mas não queremos enfrentar situações que ultrapassem o nosso poder. Queremos aprender a confiar, mas preferimos ter todas as garantias. Pedimos que Deus nos conduza, desde que Ele nos mostre antecipadamente o mapa inteiro da viagem.
A fé, porém, parece nascer justamente onde os mapas terminam.
Talvez o problema que hoje ocupa tanto espaço em nossos pensamentos não seja o capítulo final. Talvez seja apenas uma página difícil de uma história que ainda está sendo escrita. Isso não torna a dor menor, nem transforma lágrimas em coisas insignificantes. Apenas nos lembra de que aquilo que não conseguimos resolver não está, necessariamente, perdido.
Há momentos em que nossas soluções acabam. E é exatamente ali, naquele lugar desconfortável onde dizemos “eu não sei mais o que fazer”, que podemos começar a descobrir o que Deus é capaz de fazer.
No fim, acredito que seja isso: os problemas revelam os nossos limites; as soluções de Deus revelam os caminhos que nossos olhos ainda não aprenderam a enxergar.
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense









