O poeta não habita um mundo diferente; habita o mesmo mundo de todos, mas com os olhos demorados sobre aquilo que os outros atravessam sem notar.
Há quem procure abrigo em casas, templos ou fortalezas. O poeta, muitas vezes, encontra refúgio em uma folha em branco, onde o caos da existência aprende a respirar.
A poesia começa quando alguém percebe que uma sombra não é apenas ausência de luz, mas também uma história esperando por palavras.
Enquanto muitos contam os dias, o poeta escuta o que os dias contam.
Ser poeta é carregar uma espécie de inquietação sagrada: a incapacidade de passar indiferente diante do voo de um pássaro, da ferrugem de um portão ou da tristeza escondida num sorriso.
A inspiração não é um raio que cai do céu. É uma atenção paciente ao milagre discreto das coisas comuns.
O poeta recolhe aquilo que o mundo descarta: silêncios, lembranças, despedidas, sonhos interrompidos. E transforma tudo em permanência.
Há beleza que se oferece aos olhos; outra, mais profunda, exige contemplação. É nessa segunda que a poesia costuma morar.
Aforismos: Odair José, Poeta Cacerense

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