domingo, 12 de julho de 2026

Quando não sabemos o que fazer

    Outro dia fiquei pensando em como somos estranhos diante dos problemas. Quando tudo vai bem, quase não fazemos perguntas. Acordamos, seguimos nossos compromissos, reclamamos de uma coisa ou outra e continuamos acreditando que temos algum controle sobre a vida. Mas basta surgir um problema inesperado para o nosso pequeno mundo perder o equilíbrio. 

    É nessa hora que queremos respostas rápidas. Queremos uma porta aberta, uma solução imediata, uma explicação que acalme o coração. Oramos, fazemos planos e, às vezes, até sugerimos a Deus como Ele deveria resolver a situação. Temos essa mania de entregar o problema e, junto com ele, um roteiro completo da solução. 

    Mas Deus nem sempre segue nossos roteiros. 

    Talvez porque enxerguemos apenas o problema de hoje, enquanto Ele conhece os caminhos que ainda percorreremos amanhã. Nós vemos a porta fechada. Deus conhece a estrada que existe depois dela. Nós lamentamos aquilo que perdemos. Ele sabe o que precisamos aprender antes de continuar. 

    Comecei, então, a pensar que muitos dos nossos problemas podem ser oportunidades para descobrirmos as soluções de Deus. Não aquelas soluções que imaginamos enquanto estamos deitados, olhando para o teto no meio da noite. Falo das respostas inesperadas, dos caminhos improváveis, das pequenas providências que chegam silenciosamente e nos fazem perguntar depois: “Como eu não percebi isso antes?”. 

    É curioso. Queremos conhecer o poder de Deus, mas não queremos enfrentar situações que ultrapassem o nosso poder. Queremos aprender a confiar, mas preferimos ter todas as garantias. Pedimos que Deus nos conduza, desde que Ele nos mostre antecipadamente o mapa inteiro da viagem. 

    A fé, porém, parece nascer justamente onde os mapas terminam. 

    Talvez o problema que hoje ocupa tanto espaço em nossos pensamentos não seja o capítulo final. Talvez seja apenas uma página difícil de uma história que ainda está sendo escrita. Isso não torna a dor menor, nem transforma lágrimas em coisas insignificantes. Apenas nos lembra de que aquilo que não conseguimos resolver não está, necessariamente, perdido. 

    Há momentos em que nossas soluções acabam. E é exatamente ali, naquele lugar desconfortável onde dizemos “eu não sei mais o que fazer”, que podemos começar a descobrir o que Deus é capaz de fazer. 

    No fim, acredito que seja isso: os problemas revelam os nossos limites; as soluções de Deus revelam os caminhos que nossos olhos ainda não aprenderam a enxergar. 

Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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