Existem abraços que não nos prendem; revelam-nos. Como um bilhete guardado por anos entre as páginas de um livro antigo, fui me abrindo aos poucos, linha por linha, silêncio por silêncio. Em seus braços, deixei de ser papel dobrado pelo medo e me tornei mensagem finalmente compreendida.
O amor, às vezes, não chega como tempestade. Chega como mãos cuidadosas que desamarram os nós que o tempo fez na alma. E então nos desdobramos, não por obrigação, mas porque encontramos um lugar seguro para existir por inteiro.
Em seus braços, fui como um segredo que já não precisava esconder-se. Cada gesto seu era uma leitura paciente, cada olhar uma tentativa sincera de compreender o que estava escrito nas margens do meu coração. E, pela primeira vez, não temi ser lido.
Talvez amar seja isso: encontrar alguém diante de quem podemos nos abrir sem rasgar. Alguém que percorra nossas palavras mais frágeis com a delicadeza de quem sabe que certas verdades só florescem quando acolhidas em silêncio.
E assim me desdobrei lentamente, como um bilhete de amor lido em segredo, não para revelar um mistério ao mundo, mas para descobrir que, no fundo, eu sempre fui uma carta esperando o destinatário certo.
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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