Não há nada em mim que possa dizer “sim” quando a alma já compreendeu aquilo que o coração demorou a aceitar. Há despedidas que não acontecem em palavras, mas no silêncio das certezas que chegam tarde.
Aprendi que estar contigo era caminhar por estradas onde meus passos ecoavam sozinhos. A tua presença preenchia os espaços, mas não diminuía as distâncias. E, aos poucos, descobri que a mais profunda solidão não é a ausência de alguém, mas a companhia que não alcança o nosso interior.
Há amores que não terminam por falta de sentimento, mas porque o sentimento, sozinho, não constrói pontes sobre os abismos. Permanecer seria negar a verdade; partir, ainda que doloroso, tornou-se um gesto de honestidade.
Hoje sei que algumas histórias nos ensinam mais pela ausência do que pela permanência. E aprendi que estar contigo era viver só até o fim, enquanto partir foi, paradoxalmente, o primeiro passo para reencontrar a mim mesmo.
Porque o amor verdadeiro não transforma a vida em um deserto povoado de ilusões; ele faz florescer jardins onde dois corações caminham juntos. Quando apenas um caminha, o caminho deixa de ser encontro e passa a ser despedida.
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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