Tem coisas que desejei profundamente e que, por alguma razão, nunca foram minhas. Durante muito tempo, pensei que não tê-las fosse uma espécie de derrota. Hoje, porém, compreendo que algumas ausências são bênçãos que só reconhecemos depois que a esperança deixa de doer.
Às vezes, a vida nos nega aquilo que o coração insiste em pedir porque sabe que, por trás daquele desejo, havia uma ilusão maior esperando para nos ferir.
Nem tudo o que desejamos seria capaz de nos fazer felizes. Algumas coisas apenas parecem bonitas enquanto permanecem distantes.
Talvez seja melhor sentir a pequena tristeza de não possuir aquilo que se deseja do que experimentar a grande dor de possuir uma ilusão e descobrir, tarde demais, que ela nunca foi aquilo que imaginávamos.
Há sonhos que não se realizam porque a realidade seria menor que o sonho.
Há pessoas que não ficam porque sua permanência nos custaria mais do que sua ausência.
Há portas que não se abrem porque, do outro lado, não havia o paraíso que imaginávamos, mas apenas uma estrada longa de decepções.
Por isso, nem sempre devemos lamentar aquilo que não tivemos. Algumas perdas nunca foram perdas; foram livramentos disfarçados de frustração.
O coração costuma perguntar: “Por que não aconteceu?”
Talvez a vida responda em silêncio: “Porque você ainda não sabia o quanto isso poderia machucá-lo.”
E existe uma paz madura em aceitar isso.
Nem todo desejo merece realização.
Nem toda espera merece recompensa.
Nem toda ausência precisa ser preenchida.
Às vezes, não ter é justamente a maneira mais delicada que a vida encontrou de nos proteger.
E, quando finalmente compreendemos isso, deixamos de olhar para o que não veio com tristeza e começamos a agradecer pelo que não aconteceu.
Porque algumas ilusões, quando não se realizam, doem apenas por um tempo.
Mas algumas, quando se realizam, podem doer por uma vida inteira.
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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