Se o meu pensamento caminha até onde você está, eu não o detenho;
deixo que atravesse rios, cidades, campos, o rumor das árvores e o infinito das manhãs.
Que ele seja livre como o vento que não pergunta o nome das montanhas,
pois todo caminho percorrido pelo afeto amplia também a extensão da alma,
e nenhuma distância consegue medir o horizonte de um coração desperto.
Eu celebro esse invisível viajante que parte de mim sem abandonar-me,
que toca sua lembrança e regressa carregando o perfume das horas,
como se cada encontro silencioso acrescentasse uma nova estrela ao céu interior.
Descubro, então, que amar não é diminuir-se, mas expandir-se,
até reconhecer no outro uma continuação do próprio universo.
Quem poderá separar o pensamento do coração,
se ambos bebem da mesma nascente e respiram o mesmo mistério?
Quando penso em você, caminho também em direção ao que sou,
porque toda afeição verdadeira revela uma parte escondida da existência,
e o mundo se torna maior cada vez que um ser humano alcança outro pelo invisível.
Dessa forma, aceito a vastidão dos dias e a passagem das estações;
aceito que alguns encontros aconteçam apenas na geografia da memória,
pois nem toda presença exige a proximidade dos corpos para permanecer viva.
Há abraços que o espírito conhece antes das mãos,
e há silêncios que unem mais profundamente do que muitas palavras.
Se, afinal, meu pensamento repousa onde você está,
que meu coração não reclame o caminho percorrido.
Que ele aprenda com os rios, que seguem adiante sem perder a própria fonte;
com o céu, que acolhe todas as aves sem aprisionar nenhuma;
e comigo, que continuo inteiro justamente porque aprendi a compartilhar o infinito.
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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