Ela não possui refrão alegre, nem promessas de retorno. É feita de ecos: passos que não vieram, cartas nunca escritas, abraços interrompidos antes mesmo de existirem.
A solidão, às vezes, não é falta de pessoas, mas excesso de distâncias. Distâncias entre aquilo que sentimos e aquilo que conseguimos dizer. Entre o coração que espera e o mundo que passa depressa demais para perceber sua espera.
Existe uma canção escondida dentro da solidão porque toda alma guarda afetos inacabados. Mãos que nunca se tocaram ainda carregam o peso delicado do possível. Nomes nunca pronunciados com ternura continuam vivendo em silêncio, como estrelas invisíveis durante o dia.
Pode ser por isso que a tristeza tenha um som tão humano. Ela canta aquilo que não aconteceu, mas poderia ter transformado uma vida inteira. E há uma beleza melancólica nisso: perceber que até os sentimentos não vividos deixam cicatrizes suaves na memória.
No fundo, a solidão é também uma forma de lembrança. Não daquilo que tivemos, mas daquilo que o coração sonhou antes que o tempo fechasse as portas.
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense
