Há caminhos que não escolhemos — e, ainda assim, são eles que nos escolhem.
A vida raramente se apresenta como uma estrada reta. Ela se parece mais com uma trilha em mata fechada, onde cada passo é um gesto de fé. Andamos sem enxergar muito além do instante, imaginando destinos, fazendo planos, tentando domar o que, por natureza, é indomável. E, no entanto, são justamente as curvas inesperadas que redesenham quem somos.
O mistério dos caminhos da vida não reside apenas no que nos acontece, mas no que nos tornamos enquanto caminhamos. Há encontros que mudam tudo, despedidas que rasgam o chão sob nossos pés, silêncios que ensinam mais do que mil palavras. Cada desvio carrega uma espécie de pedagogia secreta: perdas que lapidam, erros que despertam, recomeços que nos devolvem a nós mesmos.
Talvez o mais intrigante seja perceber que só compreendemos alguns trechos quando já estamos muito distantes deles. O que ontem parecia ruína, hoje se revela passagem. O que doeu, amadureceu. O que nos quebrou, também nos refez. A vida escreve com uma tinta que só se torna legível com o tempo.
Caminhar, então, é aceitar a incompletude do mapa. É seguir mesmo sem garantias, mesmo sem respostas definitivas. É entender que o sentido não está apenas na chegada, mas na travessia — nas hesitações, nas escolhas, nos tropeços, nas resistências íntimas que ninguém vê.
Talvez os caminhos misteriosos não sejam enigmas a serem resolvidos, mas experiências a serem vividas. Porque é no desconhecido que a existência respira, e é na incerteza que a alma, silenciosamente, se constrói.
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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