Há um barulho nos montes, não é apenas o eco do vento,
é a inquietação antiga da terra que nunca dorme.
Como se as pedras guardassem memórias de batalhas
e, de tempos em tempos, resolvessem sussurrá-las em gritos.
Há uma gritaria entre os reinos, visíveis e invisíveis,
onde homens disputam territórios
e sombras disputam almas.
Tudo clama por domínio, tudo arde por permanência,
mas nada permanece sem se desfazer no tempo.
Os montes, altos e silenciosos,
testemunham a vaidade das coroas
e o peso inútil das espadas erguidas.
Ali, onde o céu parece mais próximo,
os ruídos humanos soam ainda mais pequenos.
Ainda assim, gritamos,
como se o mundo fosse nos ouvir,
como se a eternidade tivesse pressa,
como se o poder fosse mais forte que o esquecimento.
Há também outro som, mais profundo:
o silêncio que vem depois da guerra,
o sopro leve que cobre ruínas,
e a voz quase inaudível que diz
que todo reino, no fim, retorna ao pó,
e todo grito se perde no infinito.
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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