sábado, 18 de abril de 2026

Gritaria entre os reinos

    Há um barulho nos montes, não é apenas o eco do vento, é a inquietação antiga da terra que nunca dorme. Como se as pedras guardassem memórias de batalhas e, de tempos em tempos, resolvessem sussurrá-las em gritos. 
 
    Há uma gritaria entre os reinos, visíveis e invisíveis, onde homens disputam territórios e sombras disputam almas. Tudo clama por domínio, tudo arde por permanência, mas nada permanece sem se desfazer no tempo. 
 
    Os montes, altos e silenciosos, testemunham a vaidade das coroas e o peso inútil das espadas erguidas. Ali, onde o céu parece mais próximo, os ruídos humanos soam ainda mais pequenos. 
 
    Ainda assim, gritamos, como se o mundo fosse nos ouvir, como se a eternidade tivesse pressa, como se o poder fosse mais forte que o esquecimento. 
 
    Há também outro som, mais profundo: o silêncio que vem depois da guerra, o sopro leve que cobre ruínas, e a voz quase inaudível que diz que todo reino, no fim, retorna ao pó, e todo grito se perde no infinito. 
 
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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