terça-feira, 7 de abril de 2026

Do que é feito a poesia?

    A poesia não é feita de palavras, é feita de ausências que encontram voz. 
 
    Há algo de sagrado naquele que vive poeticamente. Não porque escreve versos, mas porque respira o mundo com delicadeza. Enquanto muitos atravessam os dias como quem cumpre um dever, a alma poética se demora: ela escuta o vento como se fosse um conselho antigo, observa a luz como quem decifra um mistério, e recolhe, nos pequenos gestos, a eternidade escondida. 
 
    Viver com poesia é recusar a dureza como única linguagem possível. É insistir na sensibilidade em tempos que pedem pressa. É olhar para a dor e ainda assim enxergar forma, ritmo, sentido, não para negá-la, mas para transformá-la em algo que não seja apenas peso, mas também expressão. 
 
    A arte sublime da poesia não está apenas no verso lapidado, mas no modo como a alma se posiciona diante do mundo. Há poesia no silêncio de quem compreende, no olhar que acolhe, na palavra dita com cuidado. Há poesia em quem sente demais e, ao invés de endurecer, escolhe aprofundar. 
 
    Porque a alma que vive com poesia não é fraca, é vasta. Ela carrega dentro de si uma espécie de infinito íntimo, onde cada emoção ecoa como um universo. E, mesmo quando se quebra, não se reduz: transforma os estilhaços em linguagem, em beleza, em possibilidade. 
 
    A poesia não é um luxo, mas uma forma de resistência. Uma maneira de continuar humano, inteiro, sensível, desperto, num mundo que tantas vezes nos quer apenas funcionais. 
 
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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