Eu senti muito, e não foi pouco, nem leve, nem passageiro. Foi um sentir que se alojou fundo, como se a despedida tivesse raízes, como se cada instante ao teu lado tivesse aprendido a não ir embora. Doeu com delicadeza, mas doeu com verdade.
Houve um tempo estranho naquele adeus: enquanto o corpo ainda estava ali, o coração já ensaiava a ausência. Eu já sentia saudade antes mesmo da partida, como quem percebe que algo precioso está prestes a se tornar memória. E talvez seja esse o peso das despedidas sinceras, elas começam antes de acontecer.
É curioso como a saudade pode nascer do excesso, e não da falta. Eu senti tanto você, tão intensamente, que o vazio já se desenhava no horizonte. Como se o amor, ao atingir seu auge, anunciasse também sua distância.
E agora, o que ficou não foi apenas a ausência, mas a presença transformada, você ainda existe em mim, mas de outro modo: em silêncio, em lembrança, em pequenas coisas que insistem em te chamar de volta.
Porque há despedidas que não encerram, apenas mudam de lugar dentro da gente.
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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