Tem noites em que os pensamentos caminham como sombras pelos corredores da alma.
Tudo silencia ao redor, mas dentro do peito há um ruído constante: lembranças, ausências e perguntas que nunca encontram descanso.
A solidão não é apenas estar só; é sentir a distância de alguém como se o mundo tivesse perdido parte de sua luz.
Viver longe de você é como habitar uma estrada sem placas.
Os dias seguem, as horas passam, as pessoas falam, mas existe uma parte de mim que permanece parada no instante da despedida.
E então os pensamentos retornam à noite, quando não há distrações suficientes para impedir o coração de procurar você em cada memória.
Às vezes me pergunto se o sentido da vida nasce justamente dessa busca.
Talvez amar alguém seja aceitar carregar uma ausência que nos transforma lentamente.
Porque quem sente profundamente nunca volta a ser inteiro depois da distância; torna-se uma mistura de esperança e saudade.
Há noites em que penso que viver é apenas resistir ao vazio.
Em outras, acredito que o sentido esteja no próprio amor que permanece, mesmo sem presença, mesmo sem toque.
Como uma chama pequena que insiste em sobreviver dentro da escuridão.
E enquanto a madrugada atravessa a janela e cobre tudo de silêncio, continuo procurando respostas no eco do seu nome.
Penso que o sentido de viver longe de você seja não deixar morrer aquilo que um dia fez meu coração acreditar que existia eternidade dentro de um abraço.
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário