sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Na solidão da noite

    Tem noites em que os pensamentos caminham como sombras pelos corredores da alma. Tudo silencia ao redor, mas dentro do peito há um ruído constante: lembranças, ausências e perguntas que nunca encontram descanso. A solidão não é apenas estar só; é sentir a distância de alguém como se o mundo tivesse perdido parte de sua luz. 
 
    Viver longe de você é como habitar uma estrada sem placas. Os dias seguem, as horas passam, as pessoas falam, mas existe uma parte de mim que permanece parada no instante da despedida. E então os pensamentos retornam à noite, quando não há distrações suficientes para impedir o coração de procurar você em cada memória. 
 
    Às vezes me pergunto se o sentido da vida nasce justamente dessa busca. Talvez amar alguém seja aceitar carregar uma ausência que nos transforma lentamente. Porque quem sente profundamente nunca volta a ser inteiro depois da distância; torna-se uma mistura de esperança e saudade. 
 
    Há noites em que penso que viver é apenas resistir ao vazio. Em outras, acredito que o sentido esteja no próprio amor que permanece, mesmo sem presença, mesmo sem toque. Como uma chama pequena que insiste em sobreviver dentro da escuridão. 
 
    E enquanto a madrugada atravessa a janela e cobre tudo de silêncio, continuo procurando respostas no eco do seu nome. Penso que o sentido de viver longe de você seja não deixar morrer aquilo que um dia fez meu coração acreditar que existia eternidade dentro de um abraço. 
 
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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