sábado, 24 de outubro de 2026

A Guerra dos Três Reinos do Pantanal - Parte II - O conflito pela hegemonia do Pantanal

 
    A paz começou a desaparecer quando uma grande seca atingiu o Pantanal. 
 
    As chuvas demoraram a chegar. Os rios baixaram, as lagoas diminuíram e os campos ficaram amarelados. Onde antes havia água em abundância, restaram pequenas poças cercadas de barro rachado. Os animais começaram a percorrer distâncias cada vez maiores em busca de alimento e água. 
 
    Foi então que o Jacaré descobriu uma lagoa profunda que resistia à estiagem. Alimentada por uma nascente escondida, ela permanecia cheia, cercada por vegetação verde e árvores que ofereciam sombra. Imediatamente, tomou posse daquele lugar. 
 
    — A lagoa é minha! — anunciou, exibindo os dentes. — Ninguém beberá desta água sem minha autorização. 
 
    A notícia espalhou-se rapidamente. O Tuiuiú chegou no dia seguinte, pousando sobre uma árvore próxima. 
 
    — Estás enganado, Jacaré. A lagoa pertence ao Pantanal, e o Pantanal deve ser governado por quem consegue protegê-lo por inteiro. Sou eu quem conhece a localização dos últimos pontos de água. Deverias reconhecer minha autoridade. 
 
    O Jacaré soltou uma gargalhada áspera. 
 
    — Autoridade? Experimenta entrar nesta lagoa e descobrirás o significado dessa palavra! 
 
    A Capivara chegou ao entardecer, acompanhada de seus filhotes e de outros membros de seu grupo. Cansados e sedentos, aproximaram-se da margem. 
 
    — Precisamos apenas de água — disse ela. — Não viemos tomar tua lagoa. 
 
    — Todos dizem isso antes de tentar tomar aquilo que é meu — respondeu o Jacaré. 
 
    A Capivara olhou para os filhotes, que mal conseguiam caminhar. Depois, encarou o adversário. 
 
    — A água não foi criada para pertencer a um único animal. Sem ela, nenhum de nós sobreviverá. 
 
    O Jacaré não respondeu. Apenas afundou lentamente na lagoa, deixando à mostra os olhos imóveis. 
 
    Naquela noite, os três decidiram que não haveria mais espaço para acordos. A disputa pela lagoa transformou-se numa guerra pela hegemonia de todo o Pantanal. 
 
Continua! 
 
Conto: Odair José, Poeta Cacerense 
 

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