Eu canto a atenção, simples e grandiosa como um rio do Pantanal,
e canto o homem que recolhe seus pensamentos dispersos
como quem reúne aves espalhadas ao cair da tarde.
Vejo as multidões correndo pelas estradas do mundo,
cada rosto iluminado por desejos passageiros,
cada coração perseguindo ecos, anúncios, promessas e sombras;
e ainda assim, no meio do tumulto, celebro aquele que para,
que respira profundamente e contempla uma única folha balançando ao vento.
Ó mente humana, vasta como continentes invisíveis!
Quantos oceanos deixaste de navegar por seguir cada onda que surgia?
Quantos horizontes abandonaste por desejar todos os horizontes ao mesmo tempo?
Eu saúdo o trabalhador silencioso da consciência,
aquele que cultiva uma ideia como se cultiva uma árvore,
que espera as estações, aceita as chuvas e os verões,
e não exige dos frutos que amadureçam antes do tempo.
A dispersão atravessa as cidades como uma tempestade de poeira,
erguendo ruídos, confundindo caminhos, multiplicando urgências;
mas a sabedoria caminha com passos largos e tranquilos,
como um velho viajante que conhece a direção das estrelas.
E eu vos digo: há uma grandeza escondida na permanência.
Há universos inteiros dentro de um pensamento examinado com paciência.
Há mais mistério em uma verdade compreendida profundamente
do que em mil novidades tocadas apenas pela superfície.
Por isso canto o espírito que escolhe,
que renuncia ao excesso para abraçar o essencial,
que transforma atenção em conhecimento e conhecimento em vida.
Pois o homem disperso visita muitos mundos,
mas o homem atento descobre a eternidade em um só.
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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