Tem sentimentos que não passam, apenas mudam de lugar dentro de nós.
O que sinto por você já não precisa da sua presença para existir. Vive em mim como uma lembrança que aprendeu a respirar sozinha, como uma saudade que não pede licença para chegar e, quando chega, encontra sempre um espaço reservado no coração.
Carrego de você mais do que lembranças. Carrego o jeito como você me fez sentir, as palavras que ficaram ecoando, os silêncios que disseram tanto e aqueles pequenos momentos que, embora tenham durado tão pouco, parecem ter encontrado morada definitiva em minha memória.
Creio que seja isso que torna certos sentimentos tão difíceis de explicar: eles não pertencem mais ao tempo em que aconteceram. Pertencem a nós.
Você passou pela minha vida, mas alguma coisa de você ficou. Ficou no modo como algumas músicas me fazem lembrar, em certas tardes que parecem ter o seu nome, em pensamentos que surgem sem serem convidados. Ficou naquela parte de mim onde o coração guarda aquilo que a razão não consegue apagar.
E eu sigo.
Sigo levando comigo esse sentimento, não como quem espera necessariamente um retorno, mas como quem reconhece que algumas pessoas deixam marcas que o tempo não consegue remover. Há presenças que continuam mesmo depois da ausência.
Pode ser que você nunca saiba o tamanho do lugar que ocupa em mim. Talvez nem precise saber.
Basta-me reconhecer, em silêncio, que entre tantas coisas que a vida levou, existe algo que ela não conseguiu tirar: o sentimento que ficou de você em mim.
E é justamente isso o mais bonito e também o mais doloroso: você não está aqui, mas ainda existe um pouco de você em tudo aquilo que sinto.
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário