O Jacaré foi o primeiro a organizar suas forças. Convocou outros jacarés dos rios vizinhos e prometeu-lhes domínio sobre as lagoas, os corixos e os canais mais profundos. Em troca, exigiu lealdade absoluta.
— Quem controla a água controla a vida — proclamou. — E quem controla a vida não precisa pedir permissão a ninguém.
Seu exército era poderoso. Os jacarés conheciam as passagens submersas e podiam surpreender os adversários sem fazer barulho. O próprio rio parecia obedecer aos seus movimentos.
O Tuiuiú também se preparou para a guerra. Reuniu garças, colhereiros, carcarás e outras aves que dominavam os céus pantaneiros. Prometeu-lhes segurança contra os predadores e liberdade para construir ninhos onde desejassem.
— Não permitiremos que um animal escondido na água determine o destino de todos! — declarou do alto de uma árvore.
Sua estratégia era diferente. Em vez de atacar diretamente, pretendia observar os movimentos do inimigo, localizar seus pontos fracos e impedir que os jacarés controlassem as margens.
A Capivara, por sua vez, reuniu os animais terrestres. Vieram veados-campeiros, quatis, tatus, antas e bandos de pequenos roedores. Até algumas onças, desconfiadas das ambições do Jacaré e do Tuiuiú, aceitaram ouvir suas propostas, embora não prometessem obediência.
A Capivara não ofereceu riquezas nem títulos. Ofereceu algo que os outros líderes haviam esquecido: a possibilidade de viver sem medo.
— Não lutaremos para substituir um senhor por outro — disse aos aliados. — Lutaremos para que nenhum animal tenha o direito de decidir sozinho quem pode beber, comer ou permanecer nesta terra.
Assim nasceu a aliança dos campos.
E o Pantanal, que durante séculos conhecera apenas os conflitos naturais pela sobrevivência, preparou-se para sua maior guerra.
Continua...
Conto: Odair José, Poeta Cacerense
Leia a Parte I aqui https://contoscacerense.blogspot.com/2026/10/a-guerra-dos-tres-reinos-do-pantanal.html

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