O homem contemporâneo acredita ser livre porque pode escolher entre mil caminhos. Não percebe que todos foram construídos pelo mesmo labirinto.
Ele se orgulha de sua produtividade, como se produzir fosse uma virtude em si. Trabalha sobre si mesmo como um artesão de números, métricas e desempenho. Já não há senhor que o obrigue, ele próprio se tornou o seu capataz. Explora a si mesmo com entusiasmo.
A antiga opressão tinha rosto. A nova sorri.
O indivíduo corre atrás de reconhecimento, mas o reconhecimento tornou-se uma moeda inflacionada. Todos falam, todos mostram, todos exibem. Nesse excesso de visibilidade, a alma se torna superficial. A profundidade exige silêncio, e o silêncio se tornou suspeito.
Assim nasce o homem cansado de si mesmo.
Ele não é esmagado por correntes, mas por possibilidades.
Não é proibido de viver, é incentivado demais.
E talvez a tragédia do nosso tempo não seja a falta de liberdade,
mas o fato de que já não sabemos o que fazer com ela.
Pensamentos: Odair José, Poeta Cacerense

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