quarta-feira, 7 de abril de 2021

Você é quem decide!


    "Você pode encarar a vida de duas maneiras: pode vivê-la ou deixá-la passar. Você decide o que fará com sua vida. Você precisa ser a mudança que deseja ver no mundo". 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 2 de abril de 2021

A reflexão do último dia da existência não absoluta do mortal

    Olhou mais uma vez para a imagem a sua frente. Sentia que essa poderia ser a última vez que seus olhos vislumbraria tal imagem. Não fazia a mínima ideia do que haveria do outro lado. Tudo não passava de teorias. Afinal, ninguém havia voltado do outro lado para contar o que lá havia. Desejava muito ter mais tempo. Não queria viver para sempre. Nunca imaginou isso. A imortalidade o assustava. Já não suportava nem mais um dia nesta vida miserável. 
 
    Lembrou de seus dias antigos. Os tempos de crianças quando corria atrás das borboletas e jogava pedras nos pássaros para vê-los voando. Esse sim era um tempo que desejava que não tivesse passado. Quem dera pudesse viver a infância infinitamente. Os adultos são ingratos e imbecis. São todos sem compaixão. Egoístas e miseráveis. Lobos do próprio homem. E nunca gostaria de ser como eles. Mas sentia-se como o pior de todos os mortais. Tudo é uma ilusão neste mundo tenebroso. 
 
    Ainda podia ver aqueles lindos olhos. Com certeza eram os mais lindos que já vira em sua vida. E foi ali que tudo desmoronou. Sabia disso. Aqueles olhos foram a sua perdição. Talvez pudesse seguir outros caminhos se não tivesse deixado eles penetrarem e dominarem seu coração. A partir daquele olhar seus pensamentos tornaram-se prisioneiro dela para sempre. E tudo não passou de mais uma grande ilusão. Amou-a como se fora a única mulher no planeta. Ela não sentiu a mesma coisa. Gosto muito de você , disse-lhe um dia, mais é só isso. Um carinho. Isso foi como um punhal a rasgar o seu coração. 
 
    Cada vez que via um andarilho pelas ruas ou uma criança abandonada pelos pais seu coração sangrava. Onde está a humanidade das pessoas? Sentia o frio das madrugadas e os espinhos do caminho. Ninguém se importava com seus gritos. Ninguém ouvia o seu pedido de socorro. Ninguém se importava. Por que, então, deveria se importar com alguém? Imaginava, em seus sonhos, o mundo sendo destruído por fogo. As chamas cobriam toda a terra. Animais desesperados correndo de um lugar para outro. Gente gritando desesperadas. Mas de nada adiantava. O fogo fazia uma limpeza total. Não ficou nem raiz nem ramo que não fosse destruído. Acordou do sonho com o corpo coberto de suor. Podia torcer os lençóis se quisesse. Ficou aborrecido porque lá fora ainda podia ver as folhas sendo carregadas pelo vento da manhã. 
 
    Definitivamente perdeu todas as suas esperanças. Sabia que nada poderia fazer para mudar aquela situação. Ninguém notaria sua ausência. Sentia-se um nada em meio ao infinito. Poderia deixar essa vida e seria apenas mais um indigente sem identificação. Que diferença isso faria para a humanidade? Quantas pessoas já nasceram e morreram ao longo da existência humana e ninguém se importa. O mundo continuará a existir assim que parar de respirar. Já existia quando chegou aqui. Continuará a existir assim que se for. 
 
     Fechou os olhos outra vez. Sua mente estava muito confusa. Afinal, que escuridão era essa? O limbo existencial ou o fim de tudo que sua mente insana viu ou ouviu um dia. Sente as garras afiadas de seus condutores. Ou são asas? A visão é ofuscada pela linha tênue da vida e morte. Onde está o barqueiro para me conduzir pelo rio da eternidade? Meu coração será pesado na balança? Já cheguei no paraíso? Tudo está em silêncio agora. Embaixo de uma árvore as folhas são levadas pelo vento até pousar suavemente no rosto bucólico de uma pessoa. 
 
Prosa: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

A faca na bananeira

    Esperou o sol declinar-se no horizonte. O amarelo do sol ia desaparecendo e dando lugar ao cinza de uma nova noite que caia naquele lugar tão pacato. Caminhou até os pés de bananeira no fundo do quintal e puxou a faca que havia enterrado em uma delas dias antes. A nódoa pingava da faca um tanto enferrujada. Com certeza uma facada só e ele morreria, pensou consigo. Com cuidado para não ser visto entrou no salão da igreja e atravessou passando por cima do púlpito vazio. O quarto onde dormia ficava em um dos cantos do templo. Colocou a faca embaixo do travesseiro e sentiu o coração acalmar. Parecia que sairia pela boca. O que estava fazendo? Indagava-se a si mesmo em determinado momento. O que aconteceria se matasse uma pessoa? Seria uma tragédia para si mesmo, seu irmão e seu pai. Viviam de favores naquela igreja. O Pastor havia dado-lhes guarida quando a mulher havia ido embora com as filhas. O pai trabalhava na plantação de cana-de-açúcar e passava a noite fora. Naquela semana estava trabalhando no turno da noite. Não poderia deixar que isso acontecesse. Não ia permitir. De forma alguma. Seu irmão era pequeno. Inocente. Aquele lobo em pele de ovelha não ia abusar de um garoto inocente. Não permitiria. 
 
    O velho senhor era bem recebido pelo Pastor e sua esposa sempre que vinha para a cidade. Também pudera. Ele sempre trazia coisas boas da vila onde morava. Frangos caipiras, ovos, queijos, leite, doces, abóboras. Isso o tornava uma pessoa confiável e querida por toda família pastoral. Sem contar que ele era brincalhão com os pequenos filhos do Pastor e com o pequeno garoto. Trazia balas. Então não foi diferente naquele dia. Lá estava ele todo feliz brincando com as crianças. A noite, com certeza seria o pregador. Tinha uma mensagem impactante. Conhecia bem a Bíblia e transmitia uma palavra de conforto e sabedoria. A igrejinha era muito avivada. Os crentes oravam muito. Meia hora de oração antes do início do culto era fichinha para os membros daquela comunidade. Por que Deus não revela o que esse homem é de verdade? Questionava do seu canto enquanto via ele pregar a palavra. Olhou para o seu irmão que já cochilava. Com certeza ia dormir como um anjo e nem imaginava o perigo que corria. 
 
    Sabia que não dormiria naquela noite. O coração batia muito forte. Cobriu o irmão e deitou-se. Tinha o costume de cobrir todo o corpo, inclusive a cabeça para dormir. Entrava alguma claridade pelas frestas da janela. A lua estava cheia. Os grilos cantavam. Olhou por baixo do lençol e viu que o velho ainda estava sentado na cama. Lia a Bíblia. Passou um pouquinho e o viu ajoelhando para orar. Como podia? Não conseguia acreditar que isso realmente fosse verdade. Mas, lembrou-se da última semana em que ele estivera ali. Acordou com um barulho e viu quando o homem havia levantado o lençol que cobria seu pequeno irmão. Quando foi para passar a mão em suas partes íntimas levantou-se rapidamente. O homem assustou e largou o lençol. 
 
    - O que está fazendo? 
 
    - Seu irmão estava descoberto e ia cobrir ele. 
 
    Sabia que não era isso que acontecera. Homem seboso. Ia bolinar com a pequena criança inocente. O velho sentou-se na cama e colocou a cabeça entre as mãos. Cobriu seu irmão e ficou vigiando até o dia raiar. Queria contar para o pai quando chegasse. Mas, sabia que poderia ser mal interpretado e, conhecendo os seus acessos de raiva, poderia apanhar. Melhor não, pensou consigo mesmo. Ninguém vai acreditar na minha história. Tenho que fazer algo. Semana que vem ele volta. Meu irmão não está seguro. Foi então que lhe veio a ideia da faca na bananeira. Não se lembrava onde havia lido sobre a nódoa da bananeira. 
 
    O silêncio era sepulcral. Podia ouvir as batidas do próprio coração. Já era tarde da noite com certeza. O tempo não passava. O irmãozinho tinha um chiado no peito. Podia ouvir também. O velho levantou-se. O coração acelerou. Se ele descobrir o meu irmão eu vou meter a faca na barriga dele, foi o que pensou na hora. Era uma agonia terrível. O tempo parecia ter congelado. O velho andou pelo quarto. Observou se ele dormia. Apenas os três no quarto. Pediu que Deus não permitisse que o homem bolinasse seu irmão. Proteja-nos, Senhor. Mais alguns minutos que pareciam uma eternidade. O velho sentou-se na cama. Deitou. Dormiu. Mais algumas horas e os galos anunciaram um novo dia. O sol raiou. O velho se foi e ficou as lembranças dessa terrível noite na memória deste que vos escreve. 
 
Conto: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Evolução mental

"Posso e devo ser melhor. Cada dia caminhar no processo evolutivo. Cada amanhecer posso melhorar. Preciso acreditar nisso, pois tenho compromisso com a renovação da minha mente." 
 
Pensamento: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Vida e morte de Laura

    Essa é a história de Laura. Laura era meiga, delicada e me fazia sorrir. Vezes séria, vezes alegre, o certo é que era muito inquieta. Não parava um só minuto. Cantava, imitava algumas falas. Tinha hora que pensava que ela queria conversar, sei lá, quem sabe fofocar. Acho que sim. O importante é que ela me distraia. Às vezes chegava cansado do serviço e até me esquecia desse cansaço ao conversar com Laura. 
 
    Laura tinha amigos. Na verdade uma amiga, Branquinha, e um amigo, Trovão. Ah, como era engraçado ver os três juntos se divertindo. Quem olhava não conseguia entender essa amizade. Eles eram tão diferentes, mas mesmo assim eram amigos. Fazia frio ou calor, o dia era chuvoso ou de sol quente e lá estavam os três a compartilhar suas ideias, carinho e atenção uns com os outros. 
 
    Mas, como nem tudo nesta vida são flores, chegou o fatídico dia em que a vida de Laura foi brutalmente ceifada. Sem ter nenhum escrúpulo, Malvado galgou os espaços aberto na cerca e alimentou-se de Laura. Sem poder se defender da cilada na qual foi envolvida, a pobre criatura foi devorada pelo cruel Malvado. 
 
    Só Deus sabe a raiva que fiquei quando não mais vi Laura neste mundo. Uma pena indicava o seu fim. Triste e desolado pela perda de Laura passei vários dias imaginando sua vida no além. Será que existe um paraíso só para os pássaros? Laura era meu papagaio. 
 
Texto: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Tenha esperança e fé!

    Erga sua cabeça e olhe para frente. Não pare no caminho. Você é uma pessoal especial e maravilhosa! Siga em frente de cabeça erguida e alcançarás a vitória. 
    Tens em seu coração a força do amor. Abra o seu sorriso e vença seus medos. Ninguém é perfeito, mas todos podem vencer os desafios. Tenha esperança e fé. 
    Acredite e siga em frente. 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Eu, os livros e a leitura (I)

    Por onde posso começar a falar de livros e leitura? Tarefa bastante hercúlea para se fazer. Todas as minhas escolhas será injusta. De cada dez livros escolhidos, outros dez ficarão de fora dessa lista. Portanto, minha missão é pontuar minhas leituras, livros que impactaram minha vida e que pode servir de sugestão para outros. A leitura nos abre caminhos para um mundo fantástico, um universo maravilhoso de conhecimento e descoberta. Estarei selecionando dez obras (não necessariamente em ordem de importância) que me chamaram a atenção e um bônus. 
 
    01) “O Altar Supremo: a história do sacrifício humano”. Livro que constitui um extraordinário e fascinante estudo sobre sacrifícios. É uma instigante história de aventura e, também, uma significativa contribuição ao estudo antropológico da religião em seu aspecto mais trevoso e violento. Foi um livro que comprei em um sebo por preço irrisório, mas que tem, para mim um valor imensurável. 
 
    02) “História Secreta do Mundo”. Fui atraído pela sinopse do livro. E SE AQUILO QUE NOS CONTARAM FOR APENAS UMA PARTE DA HISTÓRIA? Diz-se que a História é escrita pelos vencedores, mas… e se a História - ou o que conhecemos dela - tiver sido escrita pelas mãos erradas? E se aquilo que nos contaram for apenas uma parte? A partir dessa premissa, mergulhei nesta leitura que é fascinante. 
 
    03) “Lolita”. Polêmico, irônico e tocante, este romance narra o amor obsessivo de Humbert Humbert, um cínico intelectual de meia-idade, por Dolores Haze, Lolita, 12 anos, uma ninfeta que inflama suas loucuras e seus desejos mais agudos. Através da voz de Humbert Humbert, o leitor nunca sabe ao certo quem é a caça, quem é o caçador. A obra-prima de Nabokov é um livro para poucos! 
 
    04) “1984”. Poucos livros tem a capacidade de tocar tão profundamente como esse. Publicada originalmente em 1949, a distopia futurista 1984 é um dos romances mais influentes do século XX, um inquestionável clássico moderno. Lançada poucos meses antes da morte do autor, é uma obra magistral que ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre a essência nefasta de qualquer forma de poder totalitário. 
 
    05) “A Divina Comédia”. Essa obra-prima da literatura universal dispensa comentários. Texto fundador da língua italiana, súmula da cosmovisão de toda uma época, monumento poético de rigor e beleza, obra magna da literatura universal. É fato que a "Comédia" merece esses e muitos outros adjetivos de louvor, incluindo o "divina" que Boccaccio lhe deu já no século XIV. Mas também é certo que, como bom clássico, este livro reserva a cada novo leitor a prazerosa surpresa de renascer revigorado, como vem fazendo de geração em geração há quase setecentos anos. Uma longa jornada dantesca através do Inferno, Purgatório e Paraíso. 
 
    06) “O Conde de Monte Cristo”. Essa história foi impactante na minha vida de leitor. Um dos maiores clássicos da literatura francesa há mais de 150 anos, “O conde de Monte Cristo” gira em torno de Edmond Dantè, que é preso por um crime que não cometeu. Ao sair da prisão, Edmond vai à busca de vingança contra seus inimigos. Uma trama repleta de reviravoltas dignas de um jogo de xadrez. 
 
    07) “Frankenstein”. Um clássico nunca morre. Considerada a primeira obra de ficção científica da história, fazendo sucesso arrebatador desde 1818 até os dias de hoje, Frankenstein deu vida ao gênero do terror e influenciou diversas gerações desde então. Ao mesmo tempo, suscitou entre seus leitores a questão que reside no imaginário da humanidade desde suas origens: quão humano pode ser um monstro e quão monstro pode ser um humano? o livro narra a história de victor frankenstein, um estudante de ciências naturais empenhado em descobrir o mistério da criação e que acaba por construir um ser humano – ou monstro? – em seu laboratório. 
 
    08) “As Catacumbas de Roma”. Um livro com uma mensagem impactante. Uma obra que mostra a pureza e o vigor dos primeiros seguidores de Cristo, os quais mesmo coagidos, foram fiéis até a morte. Para mim, uma lição muito importante do que é fé. 
 
    09) “Bíblia Sagrada”. Não poderia deixar de falar da maior obra, para mim, da literatura universal. Um conjunto de livros que mudou a minha vida para sempre. Leio-a todos os dias e tenho diversas dela em diferentes estudos. Dispensa comentários! 
 
    10) “As Crônicas de Nárnia”. Viagens ao fim do mundo, criaturas fantásticas e batalhas épicas entre o bem e o mal - o que mais um leitor poderia querer de um livro? O livro de C. S. Lewis é uma fantástica viagem ao mundo da imaginação. Para mim, um dos maiores escritores de todos os tempos. 
 
    Bônus) “O Homem Que Queimou a Bíblia”. Não poderia deixar de falar de um dos meus livros. Escrito a partir de muita leitura e com o coração. O Homem Que Queimou a Bíblia é um conjunto de relatos e mensagens que precisa ser lido. Sou grato a Deus por ter me dado capacidade de escrevê-lo. 
 
Obs. Em breve a Segunda Lista! 
 
Texto: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 23 de janeiro de 2021

Cuiabá Esporte Clube

 
Abre-se o brado no peito 
A bravura dos guerreiros 
Avante Cuiabá do meu coração 
Auriverde campeão! 
 
Orgulho de todo matogrossense 
De Cuiabá cidade querida 
Na elite do futebol brasileiro 
Tu és grande, tu és guerreiro! 
 
Com garra conquistaste o acesso 
Nos gramados do nosso país 
A paixão fez no coração nascer 
Cuiabá, tua glória é vencer! 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense
 
 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Minhas palavras de amor não servem para nada

    Sorrateiramente. Essa talvez seja a melhor descrição para descrever a forma com que ela deixou-me naquela noite. Estava muito cansado do serviço. Aquele dia parecia que todos os problemas da empresa tinham surgidos para serem resolvidos no mesmo dia. E isso causou um estresse total nos funcionários e direção da empresa. Eu, como sempre tentava ser equilibrado, perdi a calma com um dos meus subalternos por questão banal que nem me lembro mais qual foi. Então, imagina a minha situação. Estava muito cansado da labuta e a única coisa que queria era dormir. 
    Tirei os sapatos. Como eles me incomodavam. Se pudesse trabalharia sem sapatos. Deitei-me no sofá e liguei a TV. Como sempre não passava nada que presta. Mudei de canal algumas vezes e acabei cochilando. Foi quando ela me chamou. 
    - Vá deitar na cama. - Disse com uma voz suave. Deveria ter notado. Afinal, nos últimos tempos ela só falava gritando. Andava sempre entediada. Dizia que sofria muito a solidão e o desprezo. Não me lembro bem de ter feito o trajeto do sofá até a cama, mas sei que me deitei na cama. Pois foi lá que acordei quando o sol batia na janela. 
    Foi estranho não tê-la por perto. Mas eu demorei a perceber que ela não estava mais ali. O que havia acontecido? Não me lembro de termos brigado na noite anterior. Me lembro sim de ouvi-la reclamando de alguma coisa que não sei bem o que era. Ela costumava conversar comigo. Eu estava de corpo presente. Os pensamentos, porém, sempre estavam longe. Sei que isso a incomodava. No entanto, não sabia como lidar com essa questão. Eu tinha muita coisa na cabeça. Andava sempre ocupado com tantas coisas que não dava muita atenção para quem estava a minha volta. 
    Tomei um banho e fiz um café. Estava silencioso na minha cadeira enquanto tomava o meu café quando percebi o bilhete na fruteira. Junto com as bananas e laranjas um pequeno bilhete apontava para mim querendo dizer-me alguma coisa. Abri-o com cuidado e li o que estava escrito. Poucas palavras que diziam muita coisa. 
    - “Não precisa se preocupar comigo. Estou bem. Fique com Deus. Minhas palavras de amor não servem para nada”. 
    Ah! O coração da gente é tão estranho. Nos preparamos para muito e sofremos por pouco. Como explicar as coisas do coração? Um território desconhecido. Uma terra sem lei. Um mundo sem fronteiras. Um universo de ilusão. E então, neste momento, você percebe a sua insignificância no mundo dos mortais. O que é a vida? O que é o viver senão sofrer? Pernas paralisadas. Boca emudecida. Olhos lacrimejantes. Sonhos destruídos. Enfiados dentro de uma mala e levados embora. Histórias tão bonitas construídas ao longo do tempo e que agora são desfeitas. 
    Nem levanto da minha cadeira. Por um tempo faço uma reflexão em tudo o que aconteceu. Vale a pena lutar por um amor que não mais trás a alegria que costumava trazer? Perceber que o momento certo de cada um buscar o seu destino nos faz reconhecer a nossa maturidade. Deixar ir embora um amor que não se ajusta mais é o maior sinal de respeito que podemos demonstrar. É preciso ter muita coragem para seguir em frente sem ter ao nosso lado a pessoa pela qual esteve por tanto tempo em nossa vida. Mas, às vezes, isso é necessário. É o melhor a se fazer. 
    Hoje eu não vou sorrir. Não há motivos para isso. Vou caminhar silenciosamente no caminho que tenho pela frente. Nem sempre precisamos estar acompanhado para caminhar a nossa estrada. Na maioria das vezes estamos sozinhos. Sabemos o que nos aconteceu. O que nos deu alegria e o que nos causou tristeza. Mas, não sabemos o que vamos encontrar na próxima esquina. Se algo que nos fará sorrir ou algo que nos causará lágrimas. Parece um pensamento negativista. E, talvez, seja mesmo. No entanto, quem pode me garantir algo diferente? 
 
    Conto: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Último encontro

    Ela parou o olhar no quadro na parede. Respirou fundo e então falou finalmente: 
    - Como você pode dizer uma coisa tão absurda como essa? Não faz ideia do que passei na vida para chegar até aqui. Se para você as coisas são fáceis, para mim, nunca foi. Eu chorei muitas noites sozinha e sentia-me como se já não tivesse mais nenhuma esperança para os meus sonhos. Então, por favor, respeite a minha história. 
    - Me desculpe - disse ele tentando se justificar - eu não pensei nos seus desafios - respirou fundo olhando nos olhos dela - pareço um babaca ao pensar só em mim. 
    Andou pela pequena sala. Olhou pela janela, viu as paisagens, a areia branca, as pequenas moitas de um mato que não conhecia e, ao fundo, as águas do grande lago que se estendia até o horizonte. 
    - Não se preocupe - disse enfim - eu aprendi a lição! - fez uma pausa enquanto olhava agora para ele ali diante dela - Aprendi que na vida cada um de nós deve lutar para conquistar nossas vitórias. Cada um de nós temos as nossas batalhas interiores e exteriores. Cada um de nós temos a nossa cruz para carregar. Aprendi, também, as duras custas, que, na maioria das vezes, estaremos sozinhos em nossas lutas. Nossas batalhas internas são nossas e ninguém poderá nos ajudar nesses momentos únicos de nossas vidas. Então, meu querido - pegou em suas mãos - deixe-me seguir meu caminho e siga o seu. Não teremos mais uma oportunidade como tivemos outrora. Desejo que encontre felicidade por onde andares. 
    Percebeu a lágrima nos olhos dele. Caminhou até a porta e abriu-a educadamente. 
    - Sinceramente - disse ao vê-lo sair pela porta - desejo a sua felicidade! 
 
Odair José, Poeta Cacerense